Sempre que a sociedade se depara com um movimento reivindicatório de determinada categoria, surgem logo os primeiros questionamentos: é justo? É legal? Em se tratando de paralisação de agente político, aí então é que as ponderações são muitas - divergentes e convergentes.

Sobre a paralisação dos juízes federais, não cabe aqui, neste momento, emitir qualquer conceito sobre a legalidade do movimento. Atenho-me apenas ao fato de que há um claro descontentamento de toda a magistratura brasileira com relação à maneira como o projeto de realinhamento do subsídio, encaminhado pelo STF desde agosto de 2010, vem sendo conduzido pelo Congresso Nacional. Se a AJUFE resolveu vencer a inércia, só merece os meus aplausos, ainda que a opção da paralisação, a meu ver, não tenha sido a mais adequada.

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Enquanto aguardava o vôo para Brasília, em Guarulhos, na última quarta-feira, tomando um cappuccino, tive o desprazer de ouvir parte de uma conversa entre dois estranhos em que faziam comentários jocosos sobre a magistratura por conta do PL 7.740/2010, em trâmite no Congresso Nacional.

Ainda sob o efeito do descontentamento causado por uma longa espera de mais de quatro horas devido a uma pane em uma das aeronaves da empresa GOL, os comentários dos dois estranhos serviram para me levar a um estado de reflexão.

Será que a sociedade brasileira sabe realmente o grau de responsabilidade de um juiz? Será que tem conhecimento que nós, magistrados, decidimos sobre direitos e deveres inerentes ao convívio humano e social, notadamente sobre a liberdade humana e a tutela dos direitos subjetivos?.

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