Quando me deparo com o cotidiano de algumas unidades judiciárias me vem à mente aquela cena do inesquecível filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, em que o personagem aparece em uma fábrica apertando parafusos freneticamente, tentando acompanhar a velocidade da esteira. É o que tem acontecido conosco, juízes brasileiros. A cada dia somos obrigados a decidir mais rápido para acompanharmos o grande número de ações distribuídas.

Nos últimos anos uma conjunção de fatores – maior consciência do consumidor, facilidade de acesso à jurisdição, má qualidade da prestação dos serviços, ineficiência de agências reguladoras – tem produzido uma explosão de ações, sobretudo, no âmbito dos Juizados Especiais.

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Nos 27 estados da Federação, salvo raras exceções, o Ministério Público tem, ao longo dos anos, conquistado maior número de vantagens e direitos em detrimento da magistratura. Em uma reflexão preliminar, até se poderia imaginar que as representações associativas do Ministério Público são mais atuantes que as da magistratura, tanto no âmbito dos estados quanto na esfera  nacional. Mas não é nada disso. As causas são outras, mas, para entendê-las, é necessário refletir.

Faço o seguinte questionamento: se as associações de magistrados estão presentes e atuando em todos os recantos do país, então como explicar as melhores condições de trabalho e estrutura  disponibilizadas aos representantes do Ministério Público?

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“Só quem sabe onde o sapato aperta é quem o está calçando”. Este dito popular muito bem se aplica ao que penso sobre o exercício da presidência de qualquer entidade representativa da magistratura. Mais do que boa vontade, é preciso coragem, determinação, conhecimento e muita, muita sensibilidade. Este é o perfil do presidente da AMB que queremos.

Ao contrário do que alguns pensam e até dizem - e todos podem dizer o que bem quiser, viva a democracia - nunca defendi que a presidência da AMB, ou de qualquer outra associação, seja exercida, exclusivamente, por juízes. Aqueles que propagam tal afirmação sem conhecerem  a minha história no associativismo apenas incentivam o divisionismo e “a guerra fria” no âmbito da magistratura, na vã tentativa de obterem dividendos políticos. Atitude infantil, arriscada e inútil.

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Dois de janeiro de 2009. Esta data foi marcante na minha vida. Só quem já vivenciou a triste experiência de se deparar com um Fórum em chamas sabe o quanto dói na alma de um magistrado ver processos queimados, mobílias danificadas, paredes ao chão, colegas juízes acuados e ameaçados. Foi esta a dramática realidade com a qual me deparei neste fatídico dia, ao chegar à Comarca de Santa Luzia (MA). Vi, ali, um Judiciário destroçado e ultrajado.

A destruição foi anunciada e planejada. E não foi por falta de aviso. Nós alertamos, eu e as colegas juízas da Comarca de Santa Luzia, do risco que o patrimônio do Judiciário estava correndo, fizemos apelos às instâncias responsáveis. O fim foi triste e demonstrou o quanto estamos à mercê dos vândalos e inconseqüentes.

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