20/09/2010 11h14

Não se pode representar com eficiência uma classe profissional sem o necessário conhecimento da realidade dos membros que serão representados. Essa é a percepção que faz com que eu percorra todas as regiões do Brasil, levando na bagagem muita disposição e o compromisso de ouvir diretamente os magistrados sobre suas dificuldades, críticas e realizações.

Na semana passada eu tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre a realidade da magistratura nacional ao percorrer a Região Norte do país, na companhia do colega Giordane Dourado, presidente da Associação dos Magistrados do Acre – ASMAC. Visitamos os estados de Rondônia, Amapá, Pará e Amazonas.

Esta gratificante jornada teve início no dia 13, em Porto Velho, a pujante capital de Rondônia, na qual, recepcionados pelo colega Álvaro Kalix Ferro, visitamos colegas nos Fóruns Cíveis e Criminais, bem como no Tribunal de Justiça, onde tivemos descontraída conversa sobre os avanços da magistratura rondoniense com os desembargadores Cassio Rodolfo Sbarzi e Paulo Mori – presidente e corregedor do TJ/RO – e com os juízes Antonio Roblles, Rinaldo Ferti e Guilherme Baldan.

No mesmo dia testemunhamos o belíssimo trabalho do colega Sérgio William Domingues Teixeira, titular da VEP, como coordenador do Projeto RESSOAR – Resgate Social dos Apenados em Rondônia, que muito antes do mutirão carcerário do CNJ já surgia como referência nacional na área de gestão da execução penal.

Aportamos em Macapá/AP no dia seguinte, no extremo norte do Brasil, onde, acompanhados pelo juiz Paulo Madeira, ex-presidente da AMAAPA, visitamos diversos colegas, conhecendo suas secretarias, gabinetes e, sobretudo, inovações que merecem ser compartilhadas com os demais Estados.

Ainda no Amapá, destaque para a decisão produzida pelo juiz Rommel Araújo de Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Macapá, que ao julgar procedente denúncia contra organização criminosa voltada ao tráfico de entorpecentes condenou os agentes criminosos ao pagamento de indenização por dano moral coletivo causado à sociedade, como determina o Código de Processo Penal, após a reforma legislativa de 2008. Encerradas as visitas, ficamos impressionados com a jovem magistratura do Amapá. Ao fim do dia, no crepúsculo, fizemos breve pausa para contemplar a majestade do Rio Amazonas na orla da cidade.

Nos dias 15 e 16 encontramos os colegas paraenses em Belém, oportunidade em que também visitamos muitas Varas nos Fóruns Cíveis e Criminais com duas grandes lideranças associativas locais, os juízes Carlos Márcio Queiroz e Clarice Andrade. Esta última, aposentada equivocadamente por decisão do CNJ, nos emocionou com sua história de coragem, fé e resistência. A tenacidade de Clarice frente à injustiça que sofreu é orgulho para a magistratura do Pará e exemplo para todos os colegas brasileiros.

Tivemos ainda tempo de conhecer o esplendoroso prédio do Tribunal de Justiça do Pará, que acreditamos ser uma das mais belas sedes do Poder Judiciário no Brasil. Por fim, fomos recebidos pelo colega Gabriel Velloso Filho, membro do TRT da 8ª Região e presidente da AMATRA VIII, que hipotecou o apoio dos colegas trabalhistas para a chapa AMBCOMVOCÊ.

No último dia da jornada, 17, estivemos em Manaus/AM, onde fomos muito bem recebidos pelo desembargador Flávio Pascarelli, vice-presidente da AMB e ex-presidente da Associação dos Magistrados do Amazonas – AMAZON. Após conversamos com membros do TJ/AM, participamos de reunião com os juízes amazonenses, que compareceram em peso para debater o perfil de associativismo de que precisamos para os próximos anos, contribuindo sobremaneira com suas sugestões, críticas e o reconhecimento da nossa candidatura. Saímos convencidos de que a magistratura amazonense está comprometida com a melhor proposta para o fortalecimento do Poder Judiciário brasileiro.

Ao final da jornada, concluímos que o Brasil é um gigante não apenas por suas dimensões continentais, mas, principalmente, pela beleza da sua pluraridade e da riqueza cultural que ostenta. Por isso, nenhum trabalho associativo sério deve negligenciar a integração de todas as regiões.

Quem se lança ao desafio de presidir uma entidade representativa do porte e da importância da AMB precisa enxergar a magistratura por um prisma verdadeiramente nacional, com atenção às peculiaridades de cada estado, sem a miopia de uma visão predominantemente regionalista ou sectária. Afinal, para transformar uma realidade é necessário, antes de tudo, conhecê-la.