O
4º Encontro até inovou em relação aos dois últimos. Primeiro em razão de sua
antecipação, considerando que os anteriores foram realizados sempre no mês de
fevereiro do ano em que as metas deveriam ser alcançadas; e segundo porque
fixou cinco metas ao invés das convencionais dez.
Infelizmente,
as inovações se encerraram por aí. Sim, porque repetindo o modelo dos anos
anteriores, os atores principais e que, ao fim, são os grandes responsáveis em
cumprir as principais metas, mais uma vez, foram completamente alijados do
processo.
Ora,
em qualquer instituição, pública ou privada, aqueles que têm a responsabilidade
operacional direta são chamados a participar da fixação dos objetivos
institucionais e incluídos na avaliação final. Este procedimento é fundamental
para criar o sentimento de unidade, algo indispensável no trabalho em equipe.
No
caso do Judiciário, a cultura autoritária de administração judiciária tem
afastado o magistrado brasileiro da discussão sobre a fixação e a avaliação do cumprimento
das metas, sobretudo, o de 1º Grau, a quem é imputada a tarefa de cumprir as determinações
que repercutem diretamente na prestação jurisdicional.
Ora,
não há notícia em qualquer dos Tribunais do País, cujo tema tenha sido debatido
com os Juízes, no sentido de identificar quais as dificuldades encontradas no
cumprimento das metas de 2010, de sorte a permitir a adoção das providências
necessárias para superar os entraves operacionais e colher subsídios para que sejam
fixadas metas factíveis para o ano seguinte.
Tenho
repetido que o problema não é a fixação de metas para o Judiciário, aliás,
neste particular, é digna de aplausos a iniciativa. O equívoco é a ausência de
canais de participação dos magistrados na definição dessas prioridades e da
compreensão de que o Brasil é um país plural, com diferenças culturais, sociais
e econômicas marcantes entre os diversos estados federados.
O
resultado dessa perversa equação, na maioria dos Tribunais, é a obtenção de
índices inferiores aos planejados, gerando manchetes jornalísticas que
fragilizam a imagem do Judiciário junto à sociedade e trazem desprestígio à
própria magistratura, obrigada a cumprir uma missão sem os meios adequados para
esse fim.
Enfim,
para aprimorar o serviço do Judiciário, mais do que fixar metas, é necessário
democratizá-lo internamente, através da criação de mecanismos que permitam ao
magistrado brasileiro participar da fixação das políticas judiciárias, levando
em consideração as peculiaridades regionais. Enquanto prevalecer o sistema em
que poucos decidem, todos pagarão o preço por manchetes como esta: “Judiciário
cumpre 38% de meta do CNJ para processos antigos”.